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sexta-feira, 27 de março de 2015


Estava aqui pensando sobre como os relacionamentos atuais estão acabando precocemente. Mas, mais que isso, como o sofrimento está acabando precocemente. Os relacionamentos acabam e, no dia seguinte, ou até mesmo na hora seguinte, o casal demonstra estar tudo às mil maravilhas, “não era pra ser”, “estou muito melhor sem ele”. Mentira! Chore, ouça as suas músicas, coma chocolate. O coração não cicatriza num estalar de dedos. Importe-se menos com o que os outros vão falar ou com “quem vai se sair melhor nessa história”. Dê um tempo ao seu coração, ele precisa cicatrizar; e isso, geralmente, leva um tempo. Muito ou pouco, não importa. Mas leva tempo. Um tempo que não deve ser ignorado.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015



"Se você sabe que não vai mudar de ideia, diga logo sim ou não, para que enrolar? Cuide do seu amor. Não dê corda para quem você não deseja por perto. Procure ajuda quando precisar. Não chegue atrasado. Não se envergonhe de gostar do que todos gostam: optar por caminhos espinhentos às vezes serve apenas para forçar uma vitimização. O mundo já é cruel o suficiente para ainda procurarmos encrenca e chatice por conta própria. Há outras maneiras de aparecer."
A Graça da Coisa - Martha Medeiros



"[...]redija cartas para si mesmo. Escreva sobre o que você sente e depois planeje seus próximos passos. Escrever exorciza, invoca energia. Cartas para si mesmo estabelecem uma relação íntima entre você e sua dor. Amanse-a."

A Graça da Coisa - Martha Medeiros

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015




Machado de Assis já dizia, em uma de suas citações que mais me encanta “Em seis dias Deus fez o mundo e eu refiz o meu.” Sorte de Machado! Já são quase seis dias e eu ainda não refiz o meu mundo. Tenho pensado durante todos estes dias e  ainda não encontrei forma alguma de começar a me refazer. Pensei em permanecer em pedaços para ver se tu não virias juntar-me do chão, pensei em te ligar para ouvires o quanto meu coração chora, pensei em te encontrar para que tu visses meus olhos que já não brilham mais. Porém, resolvi escrever.
Nunca imaginei ter um romance de verão: tão leve, tão sem exigências, aquele sol tocando os rostos... Mas foi assim que aconteceu. E, como todos os romances de verão, este também foi breve. Contudo, o que restou não é breve: duas pessoas em mil pedaços e uma amizade sem fim.  E será assim que me refarei: todas as manhãs deixarei meu coração apaixonado e meus braços carentes (de um único abraço) em casa, voltarei a vê-lo com o meu olhar de amiga, o melhor que posso oferecer. E vou me adaptando, aos poucos, a ser o que melhor posso ser para ele e a oferecer o que de melhor tenho: os meus ouvidos atentos e os meus braços prontos para abraçar. E talvez eu perceba que este é o melhor que nós dois temos a oferecer um ao outro e que é por essa razão que o romance foi breve: porque o olhar amigo vai ser sempre mais longo. É bem provável que eu não refarei o meu mundo em seis dias, mas sempre há mais um dia. Não se preocupe, meu bem, se não te afastares, refaço o meu mundo de qualquer forma.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014


"O autor é quem escreve, mas o livro é de quem lê, e isso de uma forma muito mais abrangente do que o conceito de propriedade privada. O livro é de quem lê mesmo quando foi retirado de uma biblioteca, mesmo que seja emprestado, mesmo que tenha sido encontrado num banco de praça. O livro é de quem tem acesso às suas páginas e através delas consegue imaginar os personagens, os cenários, a voz e o jeito com que se movimentam. São do leitor as sensações provocadas, a tristeza, a euforia, o medo, o espanto, tudo o que é transmitido pelo autor, mas que reflete em quem lê de uma forma muito pessoal. É do leitor o prazer. É do leitor a identificação. É do leitor o aprendizado. É do leitor o livro. "
A graça da coisa - Martha Medeiros

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014


Como explicar o efeito que o Natal tem sobre nós? É tudo tão mágico, tão feliz, tão esperançoso... Nem parece que estamos vivendo no mesmo lugar. Será o brilho das luzes que ofuscam o nosso olhar para a realidade? Não há época mais bela: a espera dos presentes, a solidariedade, a reunião de família. As luzes do Natal trazem o brilho que deixamos de lado durante todo o ano. Passamos a vida na escuridão, esperando pelas luzes e pela esperança do Natal. Por que não mantê-las durante o ano todo? Por que não ser solidário o ano todo? Por que não reunir a família o ano todo? Ou, ainda melhor, reuni-la a vida toda? Não precisamos esperar pelas luzes do Natal, temos nossa própria luz.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014



"Mas te vejo e sinto
O brilho desse olhar que me acalma
Me traz força pra encarar tudo."

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Lendo A Graça da Coisa

"Só nos tornamos adultos quando perdemos o medo de errar. Não somos apenas a soma das nossas escolhas, mas também das nossas renúncias. Crescer é tomar decisões e depois conviver em paz com a dúvida. Adolescentes prorrogam suas escolhas porque querem ter certeza absoluta errar lhes parece a morte. Adultos sabem que nunca terão certeza absoluta de nada, e sabem também que só a morte física é definitiva. Já morreram diante de fracassos e frustrações, e voltaram pra vida. Ao entender que é normal morrer várias vezes numa única existência, perdemos o medo e finalmente crescemos."
A graça da coisa - Martha Medeiros

sexta-feira, 14 de novembro de 2014




Eu até já tinha desistido de te amar. Juro que tinha. Estava determinada a te olhar com os mesmos olhos que tu me olhas. Mas esse teu sorriso, meu bem... É impossível amar esse sorriso sendo apenas amiga! E amar o teu abraço, as tuas piadas sem graça, o teu jeito desajeitado. E amar cada detalhe. É impossível te ver com olhos de amiga. Eu estava determinada, juro. Mas então tu vieste com a ideia de assistir uma série, lembras? A menina dizendo que não queria que o menino dormisse na poltrona e ele sem entender nada. Ouvi tu dizeres que ele era burro, que não percebia que ela o amava. E senti vontade de gritar: eu estou aqui e tu não percebes também! Mas fiquei quieta, como sempre. Receio estragar o teu olhar de amigo. Receio estragar o teu sorriso. Esse sorriso que me tira o juízo. Esse sorriso que não posso mais ver com estes olhos. Deixe-me vê-lo com os meus olhos? Eu já tinha desistido de te amar. Juro que tinha. Agora desisti de tudo pra poder te amar. 
Você consegue um bom emprego na hora que bem entender? Você descola um amor do dia para a noite? Se entrar num banco, sai de lá com um empréstimo sem burocracia? Se você respondeu sim para todas estas perguntas, parabéns. E fique atento para o horário de partida do seu disco voador, pois a qualquer momento você terá que voltar para o seu planeta. Entre nós, terrestres, o sim é uma resposta rara. Na maioria das vezes, não há vagas, não querem editar nossos poemas, não temos fiador, a garota não quer ouvir uns discos na sua casa, o garoto não quer usar camisinha e o guarda de trânsito não foi com sua cara e vai multá-lo, sim senhor. Não está fácil pra ninguém. Ao contrário do que possa parecer, esta não é uma visão pessimista da vida. As coisas são assim, dão certo e dão errado. Pessimismo é acreditar que ouvir um não seja uma barreira para realizar nossos planos. Tem gente que fica paralisado diante de um não. Nunca mais vai à luta. Já o otimista resmunga um pouco e em seguida respira fundo e segue em frente. Quando eu tinha 17 anos, mandei uns versos para um concurso de poesia. Não ganhei nem menção honrosa. Daí entreguei meus versos para o Mário Quintana avaliar. Ele não respondeu. Neste meio tempo eu estava apaixonada por um cara que ignorava a minha existência. Quando eu não estava pensando nele, fazia planos de morar sozinha, mas o meu estágio não era remunerado. Aí quis viajar para a Europa, mas não consegui entrar num programa de intercâmbio. Surpreendentemente, não passou pela cabeça a ideia de me atirar embaixo de um caminhão. Hoje tenho nove livros publicados, sou casada com o homem que amo, tenho a profissão dos sonhos e viajo uma vez por ano, e tudo isso sem ganhar na mega sena, sem cirurgia plástica, sem pistolão ou pacto com o demônio. O segredo: cada não que eu recebi na vida entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Não os colecionei. Não foram sobrevalorizados. Esperei, sem pressa, a hora do sim. O não é tão freqüente que chega a ser banal. O não é inútil, serve só para fragilizar nossa auto-estima. Já o sim é transformador. O sim muda a sua vida. Sim, aceito casar com você. Sim, você foi selecionado. Sim, vamos patrocinar sua peça. Quando não há o que detenha você, as coisas começam a acontecer, sim.
— Martha Medeiros

sábado, 8 de novembro de 2014



“Sábado é sempre sábado, igual em Paris, Porto Alegre ou Cingapura. Sempre no ar aquela expectativa — pizza, cinema ou beijo, não importa.”
Caio Fernando de Abreu

domingo, 2 de novembro de 2014

quarta-feira, 24 de setembro de 2014



"Ouvir música, ver televisão, ler livros, abrir um vinho, tomar um banho de duas horas, navegar na internet, dormir cedinho, tudo isso também é um programaço. Quem não sabe ficar sozinho não pode casar, sob pena de transformar o matrimônio num presídio para dois."
Martha Medeiros

quarta-feira, 3 de setembro de 2014




“No fundo eu sei que sou complicada demais pra conseguir me relacionar. Tem dias que nem eu mesmo me quero.”
— Tati Bernardi


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

"Eu gosto dela e ela já gostou de mim, a gente só não é bom em gostar ao mesmo tempo. Isso só aconteceu uma vez e foi sem querer."
— Soulstripper

"Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria
Em estar vivo."
Jota Quest

sábado, 16 de agosto de 2014


"Liberdade de voar num horizonte qualquer, liberdade de pousar onde o coração quiser." 
Cecília Meireles

sexta-feira, 25 de julho de 2014



Acho que nunca me senti tão sozinha como agora. Pessoas que se diziam minhas amigas, se afastaram. Amigos mudaram de cidade, e alguns colegas só lembram de mim quando preciso de algo.Meus pais não possuem a mínima ideia do que eu enfrento todo dia, e eu não tenho namorado, e pra falar a verdade não espero que alguém se apaixone por mim algum dia.Sem duvida uma das piores dores que alguém pode sentir,a de estar sozinha é a pior delas.Você tenta alivia-la saindo para algum lugar ,porem vê todas as pessoas acompanhadas ,recebendo e trocando carinhos,e você ali,sozinho,como sempre.A única coisa que me resta nessa vida são as lembranças e essas,bom,eu acho que essas ninguém pode roubar.
— Maria Luiza

quarta-feira, 23 de julho de 2014


"Poucos querem o amor, porque amor é a grande desilusão de tudo o mais. E poucos suportam perder todas as outras ilusões. Há os que se voluntariam para o amor, pensando que o amor enriquecerá a vida pessoal. É o contrário: amor é finalmente a pobreza. Amor é não ter. Inclusive amor é a desilusão do que se pensava que era amor. E não é prêmio, por isso não envaidece, amor não é prêmio [...]"
O ovo e a galinha (Felicidade Clandestina, Clarice Lispector)

Lendo Felicidade Clandestina - Clarice Lispector

"Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil."
Perdoando Deus (Felicidade Clandestina, Clarice Lispector)

domingo, 20 de julho de 2014


Eu descobri ontem um provérbio perfeito: Se quer ser amigo feche um olho, se quer manter uma amizade feche os dois olhos. Faz muito sentido. Amigo é não se meter, por mais que tenhamos intimidade, é respeitar a decisão mesmo que não seja o que você pensa. Se ele procura namorar alguém que você não gosta, é dar apoio igual. Se ele pretende permanecer num emprego que você não acha justo, é dar apoio igual. Se ele busca manter uma vida que você não considera ideal, é dar apoio igual. É estar junto apenas, para qualquer dos lados. Amizade é dança. Acompanhar o ritmo da música. É opinar, expor sua crítica, mas não viver pelo outro. É não intervir, não pesar a mão, não exagerar. Amigo não é ser pai, não é ser mãe, não é educar. É aceitar o que ele é, é reconhecer o que ele deseja, ainda que seja muito diferente de suas crenças. É entender o momento de falar e entender também o momento de silenciar. Análise demais estraga a amizade. Você estará sendo terapeuta, não amigo. É discordar e seguir adiante. Não é discordar e fazer oposição, boicote, greve. Até que nosso amigo mude de ideia. Amigo é oferecer conselho, não um sermão. É alertar, jamais insistir. Amizade é fugir do julgamento, é compreender a alternância, os altos e baixos, os desabafos. Amigo não cobra coerência, não fica em cima cutucando feridas. É saber tudo e agir como se não soubesse de nada. É não ficar apontando o que é certo ou errado. Amizade é difícil. Amizade é um estranho equilíbrio. Mas amizade não é cegueira. É a arte de enxergar com os ouvidos.
— Fabrício Carpinejar.

domingo, 22 de junho de 2014


Eu só queria amar alguém, com toda a tristeza e desequilíbrio que vem junto com isso, e continuar deixando saudades. Quando dizem que namoro ou casamento ou qualquer relacionamento mais sério não pode dar certo, eu discordo. O que definitivamente não dá certo, ao menos para mim, é se apaixonar. Agora, que graça tem fazer qualquer coisa da vida sem estar apaixonada?
— Tati Bernardi

domingo, 8 de junho de 2014


Do amoroso esquecimento

Eu agora — que desfecho!
Já nem penso mais em ti…
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Mário Quintana

quinta-feira, 22 de maio de 2014


"Quando você chega à Emergência de um hospital, uma das primeiras coisas que eles pedem é que você dê uma nota para a sua dor numa escala de um a dez. A partir daí eles decidem que medicamentos prescrever e a velocidade com que têm de ser administrados. Passei por essa situação centenas de vezes no decorrer dos anos, e me lembro de uma vez, logo no início, em que eu não estava conseguindo respirar e parecia que meu peito pegava fogo, as chamas lambendo meu tórax por dentro, tentando encontrar um jeito de sair e queimar o lado de fora, e meus pais me levaram para a Emergência. Uma enfermeira me perguntou sobre a dor e eu não conseguia nem falar, então mostrei nove dedos. Depois, quando eles já tinham me dado alguma coisa, a enfermeira voltou e ficou meio que acariciando minha mão enquanto media a minha pressão arterial, então disse:"Sabe como eu sei que você é guerreira? Você chamou um dez de nove." Mas não foi exatamente o que aconteceu. Eu chamei aquilo de nove porque estava poupando o meu dez. E aqui estava ele, o grande e terrível dez me açoitando sem parar, e eu ali sozinha, deitada na minha cama, olhando fixamente para o teto, as ondas me jogando de encontro às pedras e depois me puxando de volta para o mar a fim de poderem me lançar mais uma vez na face chanfrada do penhasco, me abandonando na água, boiando, o rosto virado para cima sem me afogar."
A culpa é da estrela - John Green