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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015




Machado de Assis já dizia, em uma de suas citações que mais me encanta “Em seis dias Deus fez o mundo e eu refiz o meu.” Sorte de Machado! Já são quase seis dias e eu ainda não refiz o meu mundo. Tenho pensado durante todos estes dias e  ainda não encontrei forma alguma de começar a me refazer. Pensei em permanecer em pedaços para ver se tu não virias juntar-me do chão, pensei em te ligar para ouvires o quanto meu coração chora, pensei em te encontrar para que tu visses meus olhos que já não brilham mais. Porém, resolvi escrever.
Nunca imaginei ter um romance de verão: tão leve, tão sem exigências, aquele sol tocando os rostos... Mas foi assim que aconteceu. E, como todos os romances de verão, este também foi breve. Contudo, o que restou não é breve: duas pessoas em mil pedaços e uma amizade sem fim.  E será assim que me refarei: todas as manhãs deixarei meu coração apaixonado e meus braços carentes (de um único abraço) em casa, voltarei a vê-lo com o meu olhar de amiga, o melhor que posso oferecer. E vou me adaptando, aos poucos, a ser o que melhor posso ser para ele e a oferecer o que de melhor tenho: os meus ouvidos atentos e os meus braços prontos para abraçar. E talvez eu perceba que este é o melhor que nós dois temos a oferecer um ao outro e que é por essa razão que o romance foi breve: porque o olhar amigo vai ser sempre mais longo. É bem provável que eu não refarei o meu mundo em seis dias, mas sempre há mais um dia. Não se preocupe, meu bem, se não te afastares, refaço o meu mundo de qualquer forma.


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