Machado de Assis já dizia, em uma de suas citações que mais
me encanta “Em seis dias Deus fez o mundo e eu refiz o meu.” Sorte de Machado! Já são quase seis
dias e eu ainda não refiz o meu mundo. Tenho pensado durante todos estes dias
e ainda não encontrei forma alguma de
começar a me refazer. Pensei em permanecer em pedaços para ver se tu não virias
juntar-me do chão, pensei em te ligar para ouvires o quanto meu coração chora, pensei
em te encontrar para que tu visses meus olhos que já não brilham mais. Porém,
resolvi escrever.
Nunca
imaginei ter um romance de verão: tão leve, tão sem exigências, aquele sol
tocando os rostos... Mas foi assim que aconteceu. E, como todos os romances de
verão, este também foi breve. Contudo, o que restou não é breve: duas pessoas
em mil pedaços e uma amizade sem fim. E
será assim que me refarei: todas as manhãs deixarei meu coração apaixonado e
meus braços carentes (de um único abraço) em casa, voltarei a vê-lo com o meu
olhar de amiga, o melhor que posso oferecer. E vou me adaptando, aos poucos, a
ser o que melhor posso ser para ele e a oferecer o que de melhor tenho: os meus
ouvidos atentos e os meus braços prontos para abraçar. E talvez eu perceba que
este é o melhor que nós dois temos a oferecer um ao outro e que é por essa
razão que o romance foi breve: porque o olhar amigo vai ser sempre mais longo.
É bem provável que eu não refarei o meu mundo em seis dias, mas sempre há mais
um dia. Não se preocupe, meu bem, se não te afastares, refaço o meu mundo de
qualquer forma.

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