ela trabalhava de segunda a sexta, sem parar. seus dias eram exaustivos, seu tempo contado. estudava letras, e o seu trabalho era fonte de grana pra pagar a faculdade. morava em uma cidade distante da família, distante dos amigos. sua vida havia virado o oposto da sua adolescência, quando ocupava seu tempo ouvindo música e escrevendo breves romances. agora sua vida era rude, um tanto fria, ao contrário do que ela realmente era, bem dentro de si mesma. ela nunca tinha suas noites livres, sempre arranjava algo para se ocupar: a cozinha pra limpar, um livro para ler .. ou, se quiser julgar como desculpas, o que de fato era, considere-o. desculpas ? sim, desculpas para tentar fugir daquilo tudo que tanto planejou, que tanto sonhou, fugir dos próprios desejos que guardava em seu coração há tempos. ela lutava contra tudo aquilo que mais desejava. ela negava, ela recusava admitir, ela recusava o complexo verbo amar. ela lutava com todas as suas forças, quando, na realidade, seu coração estava fraco, sozinho, prestes a desmoronar. mas ela não admitia, que o que lhe faltara era de fato viver, todos os contos de fadas que foram-lhe preditos.

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